Thursday, March 10, 2011






Quando eu morrer,caso me seja permitido escolher, que
seja repentinamente, de preferência com uma pontada no peito,
não igual a uma punhalada a traição, mas como a que se sente quando
atingido pela flecha do cupido. Quando morrer sorrindo, pois que
após a dor aguda em conseqüência da pontada vem a serenidade e eu
a quero estampada no meu rosto para que todos vejam que morri
feliz, com a felicidade de quem viveu e amou.
Quando eu morrer que seja num instante mágico como o
momento em que a noite se vai e o dia chega, com o sol clareando
tudo com a aurora, os pássaros despertando e contando felizes, e as
flores exalando perfume para perfumar o dia. Que me vistam sem
formalidade, tampouco roupa social.
Que acendam incensos de dama da noite e canela para
perfumar o velórioao invés de velas. Adoro claridade e luz mas
velas dão um aspecto tétrico e eu quero que as pessoas presentes
velem o meu corpo sentindo perfume e serenidade. Toquem "Call it
stormy monday" do B. B King em som ambiente porque a música
acalma e relaxa o espírito. Enquanto isso que alguém leia alguma
poesia. Não quero ninguém chorando ou lamentando a minha
morte porque ela é apenas uma transição entre o estado físico e o
espirito. Pensem que estarei bem ao lado de parentes e amigos
queridos que já se foram antes de mim.
Não deixarei bens materiais mesmo porque nunca fiz questão
de tê-los. Além disto não quero desavenças após a minha partida por
causa de heranças. Deixarei entretanto minhas poesias, contos e
crõnicas como bem de maior valor, para quem os ler sentir a minha
presença pois cada um destes textos faz parte de mim e
invariavelmente os escrevi chorando tomado pela emoção. Assim, que
escolham um deles e o guarde com carinho e ao sentir saudade de
mim que leia baixinho como se fosse uma prece, pois seguramente
estará fazendo uma prece por mim. Quando eu morrer não coloquem
em minha lápide: "Aqui jaz!". Acho isto muito friu. Ao invés disto
prefiro que o epitáfio seja: "aqui descansa uma poeta que nasceu
livre, amou e foi feliz". Que sejam plantadas sementes de girassóis
sobre meu túmulo para que ao crescerem esperem a luz do dia
buscando o sol como sempre busquei.
Da mesma forma que espereo inspirar pela útima vez na
alvorada, que meu invólucro carnal seja descerrado ao por do sol,
pois toda poeta merece este momento mágico, quando o dia se vai
com o sol sumindo no horizonte enquanto os pássaros se recolhem ao
ninho entoando canções de ninar, como premio pela sua estada na terra.
E enquanto a noite chega em silêncio quero que meus familiares e
amigos queridos se retirem com minhas recordações sob a lua e as
estrelas iluminando seu caminho, testemunhando o ocaso de uma poeta.








Quando Eu Morrer

Quando eu morrer o mundo continuará o mesmo, A doçura das tardes continuará a envolver as coisas todas. Como as envolve agora neste instante. O vento fresco dobrará as árvores esguias E levantará as nuvens de poesia nas estradas...
Quando eu morrer as águas claras dos rios rolarão ainda, Rolarão s
empre, alvas de espuma Quando eu morrer as estrelas não cessarão de acender-se no lindo céu noturno, E nos vergéis onde os pássaros cantam as frutas continuarão a ser doces e boas.
Quando eu morrer os homens continuarão sempre os mesmos. E hão de esquecer-se do meu caminho silencioso entre eles, Quando eu morrer os prantos e as alegrias permanecerão Todas as ânsias e inquietudes do mundo não se modificarão. Quando eu morrer os prantos e as alegrias permanecerão. Todas as ânsias e inquietudes do mundo não se modificarão. Quando eu morrer a humanidade continuará a mesma. Porque nada sou, nada conto e nada tenho. Porque sou um grão de poeira perdido no infinito.
Sinto porém, agora, que o mundo sou eu mesmo
E que a sombra descerá por sobre o universo vazio de mim
Quando eu morrer..."





Se Algum Dia Eu Não Acordar


Imagina se um dia eu não acordar
Quem vai puxar assunto com você?
Quem vai mentir que você é legal?
Imagina se um dia eu morrer

Você iria se arrepender

De não ter dito tudo que eu perguntava
E eu vou morrer sem nunca saber
Se você, no fundo, me amava

Você choraria?
Se lamentaria?
Será que algum dia eu vou saber?

Mas eu também me arrependeria
Pois pra ti eu nunca me declarei
E agora também eu nem poderia
Declarar-me e eu nunca mais poderei

E isso faz com que eu me sinta mal
Embora nem se passe na sua cabeça
Que tudo que eu quero é ter você
Mas não creio que isso um dia aconteça

Será que algum dia...
A gente poderia...
Por que eu não posso ser feliz?

Vai ver é porque eu não deva
Ter você pra mim
Pode deixar assim

Se algum dia eu não acordar...